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SEGUNDO EM PRIMEIRO

“Mas vale um pássaro na mão do que dois voando”. E assim todos que estão disputando uma semifinal de campeonato tão logo concordariam, obviamente. Ou seja, é melhor ir para final do que ficar no meio do caminho. Mas o que vemos muitas vezes, principalmente no futebol, são jogadores receberem a medalha de prata com um desdém, um “bico” do tamanho do estádio em que estão.

O legal do esporte é que ele valoriza os atletas na conjuntura da competitividade, saudando e parabenizando, tradicionalmente, até o terceiro colocado. Quantas vezes nós brasileiros comemoramos medalhas de prata e de bronze nos jogos olímpicos? Tivemos marcado para a história a narração emblemática do nosso saudoso Galvão Bueno gritando “É prata, é prata, é prata, é prata…” no revezamento 4×100 no atletismo nas Olimpíadas de Sidney, em 2000. Quantas vezes comemoramos os pódios, mais recentemente do Barrichello e Massa, na Fórmula 1, independente de não ter ganho a corrida? Aquele orgulho de ver um atleta do nosso país em destaque, vendo nossa bandeira subindo junto de outras duas nações, muitas vezes nos arrepiando.

Mas no futebol a coisa é diferente. Imagina na final da Copa de 1998, quando o Brasil perdeu de 3 a 0 da França, o Galvão gritasse também: “É prata, é prata, é prata, é prata…” kkkkkkk, chega a ser cômico pensar nisso, jamais aconteceria. No futebol sempre fomos os melhores do mundo, passando a década de 50, 60 e 70 vencendo, 80 jogando bonito, década de 90 vencendo, 2000 vencendo… nos acostumamos. Fora os jogadores que nosso país sustentou entre os primeiros: Rei Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Kaká e os outros demais “feras” que tivemos e sempre teremos. Não dá para comemorar medalha de prata, né?

O brasileiro trata o futebol como a busca do lugar mais alto do pódio. Nos demais esportes somos humildes em comemorar a prata, o bronze ou um 4º lugar até. Não estamos errados também em querer sempre vencer, é a natureza competitiva que o futebol nos ensinou e, muitas vezes, nos alegrou e nos trouxe o orgulho de uma nação tão flagelada. O errado é desfazer da medalha de prata, não seguir o protocolo de premiação ou jogar a medalha de prata para a torcida. E nesse contexto de valorização da busca do primeiro lugar que imagens como a do Guardiola beijando a medalha de prata na Champions League nos “arregala os olhos”. Como assim? O técnico espanhol foi muito feliz no exemplo, mas acredito que para ele foi comum fazer isso, uma naturalidade esportiva que nós brasileiros não estamos acostumados a ver.

Sempre falo para meus alunos que a semifinal é mais importante que a final, porque se você perder a semifinal acabou a competição (salvo quando tem a disputa de 3º lugar). Agora na final você nunca perde, porque ou você será campeão ou você será vice-campeão. Tem que valorizar, mesmo que seja um título provindo de uma derrota, mas é um título. Querer vencer, ser o primeiro, ser o campeão deve ser a meta de todos, mas o verdadeiro campeão é aquele que vence com humildade e perde com sabedoria, independente do lugar no pódio.

Fabiano Cardoso Pradela

“Dizer que chegou em segundo lugar numa disputa que tinha apenas dois competidores é, no mínimo, sinal de otimismo ”

Swami Paatra Shankara, metafísico, teólogo e mestre espiritual indiano.

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