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EMOÇÃO DE ARQUIBANCADA

“O que os olhos não veem o coração não sente”. Para você, torcedor de futebol, se não foi assistir a um jogo do seu time do coração em um estádio, você literalmente não sabe o que o coração sente de verdade. Todas as emoções sentidas em um jogo ao assistir pela TV não chegam aos pés do que vivemos em um estádio. E falo isso com propriedade, afinal já tive algumas boas, outras nem tanto, experiências em estádios. Já assisti meu São Paulo várias vezes no Morumbi, mas nunca vou esquecer dele lotado na reestreia do Luís Fabiano quando voltou da Europa, não tinha uma cadeira vazia no estádio. O jogo era contra o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, que atmosfera, que energia, aquilo é emoção de verdade. Mesmo o São Paulo perdendo, sentir o calor da torcida foi demais. No Morumbi também já vi São Paulo contra o Santos de Neymar e Ganso, que dia, que virada. São memórias obsoletas e eternas que contarei em outras oportunidades aqui na Esportivando.

Já vi o Palmeiras vencendo no Parque Antártica e no Allianz Parque. Já vi o Corinthians no Pacaembu e na Neo Química Arena (a Gaviões é única mesmo, os caras não param de cantar e vibrar, por nenhum segundo que seja). Já vi o Santos na Vila (lá é demais, você respira a história do futebol naquele pequeno gigante estádio). Mas uma coisa é certa, essa emoção não tem cor, não tem marketing, não tem materialização, pois ela você sente também no nosso simples Lanchão, vendo a Francana vencer.

O estádio de futebol é um passeio sensacional, lá você floresce a paixão que sente pelo futebol e analisa e assiste ao jogo com uma visão totalmente diferente, é o seu olhar, o seu momento. Mesmo aqueles não amantes deste esporte conseguem sentir o entretenimento do jogo ao vivo, à olho nu, em uma dimensão nada sentida. Quem já foi sabe como é, mesmo se o time perder. Quem nunca foi, se faça esse favor, planeje uma ida quando tudo voltar ao normal.

E é o torcedor o elemento principal do jogo, a “cereja do bolo”. É para ele que tudo aquilo acontece. Nem vamos citar o impacto econômico que a falta de torcida traz aos clubes. Como é sem graça vermos os jogos pela TV sem torcida nessa pandemia, não tem mística, não tem a mesma energia de antes. O pouco de torcedores que vimos no Maracanã na final da Libertadores 2020 ou da Copa América, os jogos da Eurocopa já com estádios lotados e o retorno gradual na Libertadores já deram uma cara diferente, um gostinho do breve passado sem pandemia. O grito da torcida é o combustível do atleta, é a trilha sonora essencial, é o abraço de energia envolto no campo.

A pandemia, com razão, tirou a torcida dos estádios e levantou algumas polêmicas até sobre a realização dos jogos nesta época. Agora, com essa retomada gradual dos torcedores, essa ausência longa trará uma valorização da torcida nunca antes percebida. A presença das pessoas em um estádio significa a humanização do futebol, a presença de famílias na arquibancada significa o sentimento ao próximo, o viver experiências juntos. O vazio dos estádios pode caracterizar o vazio em nossas vidas durante a pandemia, onde muitos não se abraçam mais, não se veem pessoalmente, não conseguem trabalhar, não conseguem sair de casa. É o reflexo desses tempos que já estamos deixando para trás, como um aprendizado gigante e uma experiência única. O coração voltará a sentir o calor das pessoas juntas, assim como gritar um gol em um estádio lotado.

Fabiano Cardoso Pradela

“Não há nada mais vazio do que um estádio vazio. ”

Eduardo Galeano, escritor uruguaio.

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