Você está visualizando atualmente ENSINO OU APRENDO COM O AUTISMO?

ENSINO OU APRENDO COM O AUTISMO?

Assim como um passe açucarado no futebol, passo o artigo de hoje para um grande profissional de Educação Física, que em pouco tempo vem realizando um belíssimo trabalho em Araxá/MG com atendimento à crianças e adolescentes com o TEA (Transtorno do Espectro Autista). Trata-sedo meu ex-aluno de futebol e afilhado de crisma, Gabriel Rizi, que conduz essa excelência em atendimento de um modo que o autista necessita, com carinho e conhecimento. Tá com você jovem:

“O autismo é um assunto que deve ser muito discutido e estudado nos dias de hoje, o qual só vem aumentando o número de diagnósticos, como também estes vêm sendo concluídos em idades cada vez mais precoces. O autismo é um distúrbio do desenvolvimento humano que vem sendo estudado pela ciência há quase seis décadas (MELLO, Ana. 2016). De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada 160 pessoas, principalmente crianças, apresenta o TEA. Durante a infância alguns sintomas podem se tornar comuns em crianças autistas, como por exemplo: estereotipias (movimentos repetitivos), dificuldade em estabelecer contado visual, alterações nas funções

motoras, seletividade alimentar, sensibilidade a alguns sons e texturas, dificuldades de concentração e autonomia.

Comecei a trabalhar com crianças com TEA durante a pandemia e é muito gratificante ver a evolução delas e percebi que se fala muito de inclusão, mas na prática, ela pouco existe. Ainda existe muito preconceito em relação à socialização e poder ajudar essas crianças e familiares na busca de uma adequação melhor é algo desafiador que me contagia à cada dia de trabalho. Através das atividades físicas, conseguimos evoluir a questão da independência de alguns alunos, desenvolver a coordenação motora, trazer qualidade de vida, reduzir as estereotipias, ansiedade e estresse e a hipotonia muscular (tônus muscular enfraquecido). Os esportes podem contribuir de

forma significativa para a adaptação social das crianças na sociedade, diminuindo a questão antissocial, e aprimorando a função comunicativa com outras pessoas.

Além de todos os resultados alcançados à cada atendimento, acredito ser eu, o professor, que mais ganha com isso. A gratidão de cada sorriso, a evolução da minha paciência em aula, a empatia para com os familiares, a compreensão de que terá dias que o plano de aula será instantaneamente alterado pela condição atual do aluno. Enfim, alcançar pequenas metas simples no dia a dia com a ajuda da Educação Física pode parecer pouco, mas para crianças com TEA é um avanço gigante. São vitórias e vitórias diariamente. Porém, necessitamos de uma maior conscientização da sociedade e buscar a inclusão dentro dela, pois, lugar de autista é em todo lugar, e para quem trabalha com eles sabe o que é o amor mais puro e verdadeiro.”

Gabriel Rizi

Profissional de Educação Física

Fabiano Cardoso Pradela

Colunista esportivo

“O diagnóstico não é sentença, mas a abertura para novos conhecimentos a respeito da vida!”

Eloá Alves, enfermeira e mãe de autista

Subscribe
Notificar de
guest
0 Comentários
Feedbacks em linha
Ver todos os comentários