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LA PAZ DEL RESPIRACIÓN

Com certa frequência a discussão sobre jogos na altitude toma conta da mídia esportiva. Pelo menos de quatro em quatro anos a Seleção Brasileira joga em La Paz contra a seleção da Bolívia. A capital boliviana está situada no Antiplano dos Andes, com mais de 3.500 metros acima do nível do mar. No último confronto, acontecido semana passada, o Brasil passou por cima, vencendo de 4 a 0 fora o baile. Mesmo assim o técnico Tite comentou do quanto é desumano essa exposição ao ar rarefeito, fala que foi rebatida pelo presidente boliviano. No mesmo ar de La Paz o Corinthians estreou esta semana na Copa Libertadores contra o nada tradicional Always Ready, mas o resultado foi bem diferente do que o da Seleção, o Timão perdeu de 2 a 0, jogando mal. Entre vitórias e derrotas, é fato que para jogos em altitudes é necessário toda uma programação especial, pois o efeito de atividades físicas de alto rendimento em locais muito acima do nível do mar é determinante no desempenho do atleta. Mas por quê? O oxigênio existente no ar atmosférico não muda com a altitude, sempre é a mesma porcentagem (20,93%). O que altera é a pressão atmosférica, que quanto maior a distância do nível do mar, menor a pressão, o que diminui a quantidade de moléculas de oxigênio por volume de ar inspirado. Sendo assim, a quantidade de oxigênio nos pulmões diminuiu e, automaticamente, no sangue, proporcionando em uma menor produção de energia pelos músculos. O corpo humano acaba se adaptando produzindo um número acima da média de glóbulos vermelhos para minimizar essa menor oxidação, mas apenas para pessoas que vivem nesses ambientes. Para atletas que vão disputar uma partida, os efeitos começam a se intensificar entre 24 a 72 horas de exposição ao ar rarefeito, por isso é normal equipes viajarem poucas horas antes do jogo para La Paz para que não sofram os efeitos da pouca produção de energia e também outros como náuseas, tonturas e mal-estar.

Tais jogos sempre são difíceis para os atletas, aliás, quantas vezes já vimos jogadores respirando com cilindros de oxigênio após uma substituição ou no vestiário. Testemunhamos a primeira derrota da Seleção Brasileira na história das Eliminatórias em La Paz, em 1993. Entretanto, podermos acompanhar situações assim valoriza

ainda mais o esporte, pois nos desperta curiosidades e nos eleva o respeito dos moradores desses lugares. Vencer em La Paz nunca foi tão difícil, o maior adversário sempre foi a altitude, pois o nível técnico das equipes bolivianas sempre foi muito baixo, diferente do terreno. A vitória nesses jogos tem um valor diferente e não deixa de ser uma experiência “legal” para o atleta. A derrota não é tão ruim porque já vem com a desculpa pronta. Neste cenário, finalizamos com alguns exercícios de imaginação: já pensou se a Bolívia fosse um celeiro de craques? Com certeza já teria disputado várias Copas do Mundo e vencido muitas Libertadores com a ajuda da altitude e do bom futebol. Agora, louco mesmo seria imaginar uma Copa do Mundo na Bolívia ou uma Olimpíada em La Paz. Aí sim seria uma situação interessante de se assistir, ainda mais em tempos da geração Nutela. Respiremos.

Fabiano Cardoso Pradela

Colunista esportivo

“Vocês têm que jogar onde vocês

nasceram, irmãos.”

Diego Maradona,

ídolo do futebol

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