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A Copa das Copas

Todo fim de Copa do Mundo gera o comentário de grande parte da opinião pública e mídia de que “esta foi a melhor Copa de todas”, o que é a pura verdade. Ao longo da história, podemos analisar que cada edição consegue superar a edição anterior em termos de estrutura, público e organização, embora no quesito futebol, não tenhamos uma onda progressiva. Basta analisarmos o baixo número de gols das Copas da Itália em 1990 e África do Sul em 2010 ou jogos de pouca qualidade como na Copa da Alemanha em 2006. Sim, talvez o futebol em seu maior evento do Mundo possa ser fator secundário, o que é mais que comum. Agora, no fator emoção, cada edição surpreende ainda mais, pois o sentimento humano vive em constante evolução.

As emoções desta edição da Copa do Catar foram fortes e diferentes. Começamos com os shows nas cerimônias de abertura e encerramento e nos protocolos antes de cada partida, um arrepio atrás do outro. Os jogos extremamente surpreendentes, intitulando-a como a “Copa das zebras”, durante os quais grandes equipes perderam para as menos tradicionais, mostrando que, nos dias de hoje, não existe mais “time bobo” no esporte. Emoção forte foi ver Marrocos como a primeira seleção africana a chegar a uma semifinal da competição, um orgulho para este sofrido povo. Destaque também para a tecnologia, que minimizou erros de arbitragem, trazendo justiça aos resultados.

Esta Copa foi capaz até de , anos atrás, difundir uma investigação de corrupção na FIFA que levou grandes conselheiros da instituição para a prisão, uma vez que a escolha do país-sede foi polêmica e envolta em grande desconfiança. Na divulgação do Catar para ser sede em 2022, contra a Inglaterra e Estados Unidos, ambos com grande estrutura apresentada e a presença ilustre do Príncipe William e Bill Clinton no Congresso, a escolha de um país sem tradição e apenas chamando a atenção pelo dinheiro, desencadeou um processo importantíssimo de reformulação das lideranças da FIFA, trazendo ao futebol um novo conceito de transparência que é necessário sempre. Mas podemos validar tal escolha também pelo fator geográfico, uma vez que, após passar pioneiramente pela África em 2010, o Oriente Médio precisava ser lembrado para um evento desses.

E talvez esta Copa possa ser o “divisor de águas” para o Oriente Médio. Começando com os ajustes necessários em relação aos direitos trabalhistas no país, uma vez que houve muitas denúncias e críticas mundiais em relação ao grande número de trabalhadores mortos nas construções dos estádios e hotéis para a Copa e as condições sucateadas oferecidas a eles. Os movimentos da opinião pública mundial mexeram com as lideranças do país, levando-as a melhorar as condições de trabalho para todos. Outro fator que a Copa pôde ajudar a melhorar é com relação ao preconceito. A Copa é a unificação e boa convivência entre os países, ela cria um sentimento de amor ao próximo e respeito mútuo que destaca a importância de sermos diferentes e que é normal sermos assim. Os movimentos em busca de respeito à diversificação sexual entre as pessoas e a luta contra o machismo foram evidentes na Copa. As mulheres cada vez mais mostrando seu valioso lugar na igualdade entre homens, tanto em direitos como em capacidade, pois a presença delas nas arquibancadas já era, há muito tempo, normal. Mas na linha de frente apitando, narrando, comentando e liderando setores foi belíssimo, abrindo portas para nosso competentíssimo universo feminino, trazendo uma grande expectativa para a Copa do Mundo Feminina em 2023, na Oceania. Elas merecem e fazem por merecer.

Despeço-me neste artigo falando de despedidas: a primeira, a despedida amarga do hexa na disputa de pênaltis contra a Croácia, mostrando que o ótimo trabalho feito por Tite na Seleção a longo prazo não resolve a derrota em uma Copa a curto prazo. Aquela despedida triste de grandes craques como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi nas suas últimas Copas (será?). Messi que foi o grande personagem deste filme chamado Catar 2022. Um gênio da bola e da humildade, que fez com que brasileiros torcessem por seu maior rival por sua causa. Aquela despedida nostálgica da nossa voz chamada Galvão Bueno na sua última Copa (será?). A despedida do bi da Argentina, que virou tri, consagrando um gênio, que acabou com discussões sobre o futebol sul-americano e europeu, que levantou a taça após a final mais eletrizante da história das Copas a qual se supera a cada edição.

Esperemos 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá para termos a certeza de que, no desfecho desta futura edição, ela será a Copa das Copas e assim sucessivamente.

Fabiano Cardoso Pradela
Colunista esportivo, Profissional de Educação Física, Empresário.

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