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A Graça do Equilíbrio

O esporte está muito além do incentivo à prática da atividade física visando a prevenção da saúde. O esporte traz sentimentos, histórias para contar, socialização e lições de vida. Muitas pessoas até praticam esportes, mas não gostam de ser torcedoras do mesmo, não acompanham notícias esportivas, equipes e modalidades, talvez no máximo um jogo aqui ou acolá de uma Copa do Mundo ou Olimpíadas. Essas pessoas não sabem o que estão perdendo.

Galvão Bueno fala sempre: “Eu sou um vendedor de emoções através do esporte”. Fato, pois o esporte muitas vezes nos traz um sentimento tão forte de alegria ou tristeza, um frio na barriga, apreensão e nervosismo, o famoso “haja coração” do mesmo Galvão resume bem. Mistos de arrepios na alma que simbolizam o verdadeiro “torcer” pela vitória de um atleta ou equipe, muitas vezes torcer por quem nem nos conhece, aquela idolatria saudável que alimenta o que mais o esporte profissional precisa valorizar, seu torcedor.

E de momentos históricos que o esporte profissional sempre proporciona, é muito legal quando o equilíbrio alimenta a emoção da vitória. Por exemplo: Copa do Mundo de 2014, os torcedores alemães tiveram duas diferentes emoções, aquela emoção boba, estranha e indagadora de ver sua seleção ganhando de 2, 3, 4, 5, 6 e 7 a 1 em uma semifinal contra os donos da casa. E aquela emoção forte, de parar o coração e de abraçar a desconhecida pessoa ao lado como se fossem amigos em um mísero gol de um jogo super equilibrado, na prorrogação, na final da Copa. Alegrias iguais, emoções diferentes.

E o engraçado é que a graça na competição é o combustível para nossas emoções. Quem se lembra do quão sem graça foi a Fórmula 1 entre 2000 e 2004, com o Schumacher ganhando o campeonato praticamente no meio da temporada? Todos trabalhavam para chegar no segundo lugar da modalidade, chato. Ou mesmo o São Paulo entre 2005 e 2008 no futebol, sendo o time a ser batido. Nas Olimpíadas de Pequim, ninguém ganhou na natação a não ser Michael Phelps. Nem vou citar Usain Bolt no atletismo. A hegemonia no esporte só é boa para quem a faz.

No basquete, o cenário do NBB deste ano era de um campeonato sem graça, com a hegemonia do Sesi Franca Basquete batendo o recorde de sequência de vitórias no ano (43), ganhando Paulista, Super 8 e Champions. Mas a final foi diferente, assim como da Champions League no futebol, com um único gol do City em um jogo de puro equilíbrio.

No NBB, quatro jogos equilibradíssimos, com os visitantes vencendo fora de casa. Franca e São Paulo brigando ponto a ponto, deixando torcedores aflitos e roendo as unhas. Que final, que emoção! Vitória no último segundo, craque do time fazendo cirurgia, medo de perder, vontade dobrada de ganhar. Um cenário lindo, de igualdade técnica, valorizando muito o trabalho de ambas as equipes, o projeto do São Paulo e a tradição do Franca.

Essa final mostrou para nós torcedores o quanto o equilíbrio valoriza a vitória e, para não esquecermos, destaca o valor também da medalha de prata, do vice, que por pouco não foi ouro. Apesar de que, no quinto jogo, Franca jogou um pouco fora essa emoção, passando como um rolo compressor em momentos com quase 30 pontos de diferença, ainda bem.

Parabéns Sesi Franca Basquete!

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