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Quilômetros de Emoção

Sempre bato na tecla de que, por mais importante que sejam as orientações e explicações verbais que possamos passar aos nossos filhos, o maior ato para educar se faz no exemplo, ou seja, posso orientar meu filho a respeitar as regras, mas eu passo no sinal vermelho? São as ações do dia a dia que fortalecem a educação e vivência com nossos filhos. No esporte, não é diferente, pois já vimos muitos “Filho de peixe, peixinho é”. Exemplos como no futebol: Pelé e Edinho, Romário e Romarinho (não é o ex-Corinthians); os pilotos da Fórmula 1 Graham Hill e Damon Hill, Nélson Piquet e Nelsinho Piquet; Bernardinho e Bruninho do vôlei; no boxe, a Laila Ali, filha do lendário Muhammad Ali; no basquete, temos Hélio Rubens e Helinho, Joe Bryant e Kobe Bryant; e muitos outros.

Seguir o exemplo dos pais na profissão é muito comum. Mais comum ainda é seguirmos o exemplo dos pais nos hobbies esportivos do cotidiano. Como é bacana vermos uma família pedalando ou caminhando unida, mãe e filha treinando juntas em uma academia, pai e filho vestindo a mesma camisa de um time amador. Sendo assim, gostaria de abrir este espaço para o relato da minha cunhada e xará, Fabiana, esposa do meu irmão Ricardo, que, seguindo os passos do pai Luís Molina, correu neste final de ano a tradicional Corrida de São Silvestre, em São Paulo. Segue:

“Minha primeira São Silvestre. Para muitos, falar da tão famosa São Silvestre através do que se vê na TV é tarefa fácil, difícil é torná-la realidade em sua vida, dificuldade que é proporcional ao tamanho da felicidade que a experiência lhe causa. Como meu pai diz: “É complicado quando falamos para as pessoas, elas não entendem muito bem o que sentimos quando estamos lá”. É obvio que vivenciar as experiências da vida é diferente de apenas ouvi-las. Estar lá e sentir na pele é uma sensação única e indescritível.

Meu pai foi meu grande incentivador em participar da corrida mais famosa do Brasil e uma das mais importantes do mundo. Ele, que já havia se apaixonado por correr, debutou na competição em 2021, após também vivenciar uma enorme experiência no Caminho da Fé, entre Franca e Aparecida. Para mim e minha família, foi um grande orgulho ver nosso pai participando de um grande evento esportivo com 64 anos.


Nas rodas tão acaloradas de conversa com ele, recebi o inusitado convite de participar da edição seguinte. Vivendo um misto de confiança e ansiedade, aceitei o desafio, comecei a treinar e me preparar ao longo de todo o ano de 2022, levando cada treino com disciplina e determinação.

Enfim chegou o grande dia! Enquanto a maioria estava preocupada com a festa de Ano Novo, lá estava eu com meu pai rumo a São Paulo. Que ambiente saudável, uma confraternização muito emocionante! É um misto de sentimentos, a gente chora, grita, dá gargalhada e sente na alma as emoções que o esporte proporciona.

São 15 quilômetros bem aproveitados, passo a passo, literalmente. Durante a prova, passa um filme na sua cabeça, de todo esforço que aquele ano exigiu de mim para estar ali. Durante o percurso, encontramos tantas pessoas que estavam vivendo momentos de superação física e emocional que, naquele momento, passamos de competidores a espectadores e vice-versa. São pessoas com dificuldades de locomoção, idosos, pessoas que estão ali apenas para ajudar outras mais frágeis, um verdadeiro esporte individual coletivo, por assim dizer. Esses momentos me emocionaram muito e ficarão para sempre nas minhas memórias.

Na temida subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, os corredores que estão ali pela primeira vez criam muita expectativa. Embora famosa pelo grande esforço necessário, consegui subi-la correndo, sem andar em nenhum momento. Acredito que a minha disciplina nos treinos e na alimentação foram determinantes para conseguir vencer aquele desafio. Mesmo iniciante nesse mundo das corridas, fiz tudo com muita sabedoria, persistência e afinco.

Cheguei lá! E que possam vir outras, para mim, meu pai e você, que compartilhou comigo essa experiência.  Acredito que o esporte transforma a vida das pessoas e contribui para colecionar boas e saudáveis memórias.”

Fabiana dos Santos Ramos Pradela.

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