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Preço Alto

Preço Alto

Nada nessa vida é perfeito, quanto mais a profissão de jogador em grandes clubes, por mais avassaladora que seja a quantidade de jovens sonhando com a realização deste objetivo.

Primeiramente o caminho pode ser muito árduo, os jovens em categorias de base necessitam de grandes esforços diariamente. O contato com a família fica cada vez mais virtual, a concorrência de milhares de jovens querendo seu lugar já é uma pressão, a constância física e mental em cada treino puxado, a disciplina escolar mesmo com a cabeça apenas no futebol, enfim, o esforço, um pouco de sorte e o talento são fundamentais para alcançar esse sonho.

E quando se chega lá, qual será o preço a pagar? Ter muito dinheiro é um fator importante para o auxilio a família e a tranquilidade na aposentadoria. Mas a fama é um elemento duríssimo e pode comprometer o que mais de precioso o ser humano pode ter: a paz. O atleta de alto nível já tem uma pressão natural por rendimento e ganha e treina para isso, com auxilio de psicólogos e confortos oferecidos pelos clubes para minimizar os efeitos desta pressão na saúde mental, evitando assim casos sérios de depressão como o caso do jogador Nilmar, com grandes passagens pelo Inter, Corinthians, Europa e Seleção Brasileira.

A falta de liberdade e a intimidação andam juntas neste cenário dos jogadores de grandes clubes. Basta a fase do clube não estar boa que a maioria dos atletas nem podem sair para tomar um sorvete com a família. Vimos nesta semana um vídeo do atacante Jô do Corinthians bombar nas redes sociais. Ele, lesionado, não viajou para Cuiabá para jogar contra o Cuiabá pelo Brasileirão. Um vídeo em um bar ou restaurante o “flagrou” (como se fosse um crime estar lá) tocando um samba com os amigos enquanto o Corinthians estava passando em um telão no estabelecimento, ainda perdendo. Fato que terminou com a rescisão do contrato a pedido do atleta.

Acredito que antes de qualquer julgamento sobre o Jô devemos levantar algumas questões: O atleta lesionado precisa assistir ao jogo do clube ao vivo? O mesmo deve ficar recluso em casa sem vida social durante o tratamento? Ele não estava em dia com suas obrigações, não fazendo a sessão diária necessária para a lesão? Os mínimos movimentos na roda de samba realizados em cadeira prejudicam a lesão? Caso as respostas forem negativas, estamos em um cerceamento de liberdade do profissional. Outras questões antes dos julgamentos (que vieram a galope na internet): Será que o clube não sabia? Será que se o Corinthians tivesse vencido a repercussão seria a mesma? Enfim, jogadores de futebol em grandes clubes possuem grandes salários e uma grande carga de responsabilidade que talvez ultrapasse limites, acabando de vez com a paz entre familiares e amigos, dificultando até mesmo os gastos e regalias que seus salários podem proporcionar. E para os jovens que sonham e devem continuar na luta deste objetivo, ter essa visão de que nem tudo são flores já ajuda na formulação do pensamento de que, se chegar lá, o preço a se pagar em algumas questões será alto.  

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